Por que nego a religião, quão tola e fantástica é, e por que sou um lúcido dedicado e vociferante

(Disponível em espanhol: Por qué rechazo la religión, lo tonta e irreal que es, y por qué soy un “bright” entregado y enérgico)

A página nesta semana será inteiramente voltada à religião. Cheguei a um ponto que tenho realmente que falar a respeito desse assunto, que até agora entendia estar fora dos propósitos da JREF. Uma vez que a religião se mostra como parte de tantos argumentos que sustentam alegações fantásticas, quero mostrar que o que ela contém é da mesma natureza que a astrologia, percepção extra-sensorial, profecias, rabdomancia e uma vasta gama de crenças estranhas com as quais lidamos aqui diariamente. Previamente, já me afastei da chance de discutir tão penetrantes idéias, em níveis que não oferecem qualquer evidência verificável ao passo que outras crenças sobrenaturais o fazem —embora tais evidências sempre demonstraram resultados negativos. Pessoas religiosas não podem ser contra-argumentadas com lógica, porque alegam que suas crenças são de uma natureza que não pode ser examinada, apenas “são”.

Melhor que argumentar ou tentar raciocinar através dos padrões deles, apontarei, brevemente, como suas alegações são improváveis, bizarras, desprovidas de razão e fantásticas, lidando com aquilo que mais me é familiar, em minhas experiências pessoais.

Freqüentemente recebo críticas de crentes na mediunidade e em dogmas religiosos ofendidos acusando-me de ser um daqueles malditos “materialistas”, ou de ser incapaz de aceitar as maravilhas que eles escolheram acreditar porque estou “fechado dentro de um mundo que aceita apenas uma versão científica ortodoxa e inflexível de como o mundo é.” Tais palavras entre aspas são tiradas diretamente de recentes “lições de moral” que fui alvo.

Em primeiro lugar a palavra ‘inflexível’ não pode ser aplicada ao ponto de vista genuinamente científico. Minha breve, e preferida, definição de ciência, uma que admito que inventei, é:

Ciência é uma busca por verdades básicas acerca do universo, uma busca que desenvolve conceitos que surgem para descrever como o universo funciona, mas que estão sujeitos a correção, revisão, ajuste ou até mesmo à rejeição ante a apresentação de evidências melhores ou conflitantes.

Ciência é uma disciplina que freqüentemente submete-se às refutações enquanto tenta chegar à sua meta que é a “verdade”, mas sabendo que qualquer conclusão a que possa chegar é apenas a melhor para o momento. Qualquer afirmação — s = ut + ½at2, por exemplo — é “verdade” quando aplicada a balas de canhão jogadas da Torre de Pisa; entretanto, não descreve com precisão a interação de objetos muito pequenos ou muito grandes tais como elétrons ou galáxias. Isso não a faz “errada”, apenas a faz limitada. Afirmações mais abrangentes como a teoria da relatividade ou os conceitos de física quântica, descrevem melhor uma grande gama de interações físicas, mas escondidos naquelas afirmações mais avançadas poderemos encontrar as anteriores mais simples — as que acredito que meu leitor agora reconhece como uma daquelas que nos foram dadas por um cara chamado Newton.

A estrutura da Ciência em si está também em um constante estado de desenvolvimento, não tem um estado “ortodoxo” que se assenta confortavelmente complacentemente. Apenas tem algo como um padrão estatístico ou alguma inovação observacional para mudar sua aproximação a cada evento ou decisão que, junto a isso, tenha sido, como tentativa, satisfeito, mas o verdadeiro cientista não se arrepende nem recusa tais melhoras na técnica ou na aproximação, ele as pega e as ajusta para uma melhor e mais nova compreensão do mundo que então se faz disponível. A religião, em contraste, é repelida pela dúvida honesta, ao contrário na ingênua aceitação inquestionável.

É a boa vontade de ajustar que dá uma genuína glória à ciência, em minha amadora opinião. Está em contraste distinto aos axiomas religiosas, que orgulhosamente ostenta suas inflexíveis “verdades” para demonstrar que eles “sabem” certas coisas sem dúvida. A Terra ainda é redonda, e não chata, nem é o centro do Universo; tais revelações foram imediatamente aceitas, absorvidas e aplicadas pela ciência — assim, primitivas naquele momento da História — e nenhuma dor foi sentida por aqueles que incorporaram-na em sua visão de mundo, embora em muitos casos pode ter havido algum desconforto e surpresa, seguido por deleite.

Eppur, si muove.” Mesmo que ele não tenha dito isso, tenho certeza que queria dizê-lo…

Sim, sou materialista. Estou disposto a admitir que estou errado, mas nada aconteceu — ainda. E admito que a razão para que não aceite as alegações das maravilhas ocultas, mediúnicas e/ou sobrenaturais é que estou dentro de uma visão de mundo que exige evidência e não fé cega, uma visão que insiste sob réplicas de todos os experimentos — particularmente aqueles que parecem ser violações do mundo racional — e uma visão que requer exames abertos dos métodos utilizados para levar tais experimentos adiante . A decisão de ser um materialista é minha, a tomei após muitos anos de consideração do que observei e após ler Bertrand Russel e outros. Uma vez que isso não tenha sido uma mera reação às informações que chegavam, mas o resultado dos exames de tais informações, sinto orgulho de minha decisão.

(Aparte: Sinto orgulho de ser americano, cético e um lúcido. Apenas tenho orgulho das coisas que conquistei, não daquelas que nasceram comigo ou me foram dadas. Escolhi ser americano e consegui esta distinção, tornei-me e permaneço um cético embora tenha sido difícil e ainda me traga problemas, e ser um lúcido é ficar voando na cara daqueles que me rotulam de inferior porque não sou supersticioso como são. Não me importo; conheço e aceito o mundo real.)

Quando eu era criança, disseram-me para acreditar que selvagens eram condenados a cozinhar em enxofre derretido se não aceitassem a mesma “piedosa” divindade que era descrita para mim, mesmo se não tivessem a chance de conhecê-lo. Tal divindade, como me foi apresentada, sofria de muitos e sérios defeitos que me aconselharam a evitar. Essa deus era caprichoso, inseguro, ciumento, vingativo, sádico e cruel, e exigia oração constante, sacrifício, bajulação e apoio ao seu ego ou as penalidades poderiam ser severas. Descobri cedo em minhas observações que os religiosos eram muito medrosos, temendo e imaginando se tiveram eles cometido quaisquer infrações das múltiplas regras que tinham que seguir. Eles eram — e ainda são — regidos pelo medo. Não é meu estilo.

Mas foram as incríveis histórias que me foram contadas que realmente me fizeram cair em descrença. Por exemplo, contaram-me que há 2.000 anos atrás uma virgem do oriente médio foi engravidada por alguma espécie de fantasma, e como resultante, produziu um filho que podia andar sobre a água, ressuscitar os mortos, transformar a água em vinho e multiplicar pães e peixes. Tudo aquilo além de espantar demônios. Ele esperava condescendente por uma brutal e sádica morte — e depois ressuscitaria dos mortos.

Havia muito, muito mais. Adão e Eva, disseram-me, eram os primeiros seres humanos, foram jogados em um jardim para dar início à nossa espécie. Mas não entendi, e ainda não entendo, como que eles tiveram apenas dois filhos, ambos meninos — e um matou o outro — e ainda assim produziram gente o suficiente para popular a Terra, sem incesto, o que era proibidíssimo! Depois algum profeta fez a Terra parar de girar, um exército tocou cornetas até um muro cair, um sujeito chamado Moisés fez o Mar Vermelho se dividir em dois e fez sapos caírem do céu…

Eu não precisava continuar. E é apenas um pequeno começo de uma religião! O Mágico de Oz é mais crível e mais divertido.

Continuo ouvindo de parapsicólogos, religiosos e ocultistas sobre o que consideram uma repugnância, uma relutância de certos céticos em considerar as evidências. Deve haver céticos por aí que consideram, mas não conheço nenhum. Ouvi que a recusa de crença dos céticos, é um paralelo e até excede a dedicação dos mais ardentes entusiastas da reencarnação, entortadores de talheres ou devotos dos OVNIS. Também tenho visto tentativas de traçar as bases mais ou menos não-racionais que estão embaixo de tais posições extremas.

Tem-se dito, bem corretamente, que a mente humana precisa formar uma imagem compreensível do universo em que vive; a busca de padrões é uma técnica básica de sobrevivência que temos conosco. Também procuramos ter uma compreensão de nossa própria existência e freqüentemente descobrimos que adotando o que pode ser descrito como uma visão religiosa ou “religiometafísica” parece que é mais fácil de encontrar um sentido de percepção do mistério da existência. Percebo que os céticos, em geral, evitam acreditar em hipóteses metafísicas, intestáveis e não-científicas, mas crentes preferem acreditar que — quando forçados — nós céticos confessaremos que adotamos pelo menos um grau de ponto de vista metafísico. Isso só pode ser uma tentativa desesperada dos crentes em um ‘wishful thinking’ que eles não podem acreditar que nem todo mundo é crédulo. É apenas algo com o qual eles não conseguem se relacionar, nem aceitar.

Aqui está como os crentes vêem os céticos, e como eles tentam fazer-se parecer racional, ao contrário de nossos vertiginosos meios: eles tentam admitir que muitos deles adotaram posições religiosas ortodoxas — e podem incluir em tal lista espantalhos ridículos como a teosofia e cientologia, apenas para mostrar como não estão totalmente privados do senso comum. Dizem que enquanto muitos céticos negam qualquer inclinação religiosa, ainda assim, dizem, sob cuidadoso exame, eles também podem freqüentemente ser vistos tendo uma profunda fé naquilo que os crentes entendem como “doutrina metafísica”, que chamam de “materialismo”. Esta doutrina, dizem eles, nega a existência de entidades como mente, alma e espírito, e afirmam que o universo físico constitui toda a realidade. Eles chamam a atenção que, como o materialismo não pode ser entendido como cientificamente ou filosoficamente provado, esse nosso empenho pode ser devido a uma reação a certos eventos e tendências na história da ciência.

Isso é colocar os carros à frente dos bois, em minha opinião. Para divagar momentaneamente, deixe-me mostrar aqui uma visão e uma introdução que já dei antes. Os leitores já devem saber sobre o prêmio de um milhão de dólares que a JREF está oferecendo. Muitos — a maioria — dos candidatos a esse prêmio nos desafiam a provar que eles não fazem o que alegam. Enfatizamos que não estamos alegando nada, e apenas pedimos que provem o que eles dizem fazer; não tentamos, nem tentaremos, provar que suas alegações são falsas. Similarmente, céticos não tentam provar o materialismo. Pois é simplesmente a melhor, mais lógica e razoável explicação para o universo. É usar da parcimônia. E materialismo pode ser testado — um feito que freqüentemente os crentes dizem não ser aceitável nem necessário dentro de sua visão sobrenatural do mundo.

Os céticos não permitem a invenção de situações ou entidades convenientes mas testáveis para endossar suas alegações, nem podem aceitar que propriedades mentais ou espirituais podem se equivaler em matéria física, que é a origem da idéia das relíquias e locais sagrados. O dente de Buda, o sudário de Turin, Lourdes, e a pedra negra de Meca são exemplos. Aristóteles, cujos ensinamentos o cristianismo tem muito se baseado, disse que havia “esferas cristalinas” que carregavam os planetas e as estrelas em suas viagens celestiais, e que estariam associadas com “propulsores” incorpóreos e indefinidos que proporcionariam as forças que os mantinham em movimento. Ele pensava que esses “propulsores” eram de natureza espiritual e que a relação entre um propulsor e sua esfera assemelhava-se a da alma e seu corpo. Tal ponto de vista foi amplificado mais tarde por interpretadores de Aristóteles tais como Tomás de Aquino no século XIII, que ensinou que a matéria básica era igualmente aceita como tendo propriedades psicológicas.

Aristóteles escreveu que um objeto terrestre caía no chão devido a sua “aspiração” natural a alcançar seu lugar “natural”. Esta visão animista do universo é também encontrada no trabalho de Willian Gilbert, o médico inglês. Ele endossava as idéias do filósofo grego Tales, que atribuiu atração magnética à ação de uma “alma magnética” no mineral naturalmente magnético conhecido como lodestone, atração trazida à tona através da emissão de uma “emanação magnética” do mineral. Gilbert também acreditava que a Terra também tinha uma alma magnética. Em sua posição tão próxima do Sol, disse, a alma da terra percebia o campo magnético do Sol, e raciocinava que um lado seu queimaria enquanto outro congelaria se não agisse, deste modo escolhei rotar em seu próprio eixo, depois resolveu se inclinar em um ligeiro ângulo para provocar a variação das estações.

Não erre condenando Aristóteles e Harvey como pensadores medíocres; eles não eram. Outros assuntos que escreveram a respeito foram bem elaborados. É provável que se tivessem ambos acesso ao conhecimento desenvolvido depois que morreram, teriam aceitado e celebrado as melhorias, eles eram cientistas, embora a disciplina exata daquela profissão não tinha aparecido quando declararam suas conclusões. O fato desses pontos de vista fantasticamente animistas sobre a matéria que constitui o universo terem desaparecido como resultado dos avanços científicos, não devemos desdenhar as idéias dos antigos; eles fizeram o melhor que podiam, e por causa das invenções livremente criadas de suas religiões — virgem que dá a luz e estórias de pães e peixes saltando à mente — não encontraram dificuldade com suas hipóteses menos fantasiosas. Entretanto, não seria interessante perder tempo com paranormais, ocultistas e entusiastas religiosos de hoje, pois suas pretensões não são também aceitáveis. Não mais. Precisamos crescer.

A religião está por trás de muitas das maiores tragédias da humanidade. Um recente livro de Jon Krakauer chamado “Sob a Bandeira do Céu: Uma História da Fé Violenta”. A Atual percepção do Islã como uma religião particularmente de militantes — oficialmente adornada e mostrada para justificar nossa presença no Iraque na minha opinião — invoca memórias horrendas do fiasco cult de Branch Davidian e o ataque de gás nervoso de Aum Shinricko no metrô de Tókio há alguns anos atrás, e o suicídio em massa dos seguidores de Jim Jones no dia “do Juízo Final” de 1978. Estes são apenas pequenos exemplos dramáticos do fervor religioso que fez com que até mesmo os mais crentes mais conservadores recuar e talvez duvidar — momentariamente — a sabedoria da sua fé.

Não foi preciso que tais eventos sangrentos e repentinos acontecessem para chamar nossa atenção a esse problema. Outras situações espalhadas por aí que parecem inóquas devido a sua constante presença em nossas vidas mereceram igual alarde. A tragédia entre Israel e Palestina, a guerra entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, a rixa dos Tamil-Sinhalese em Sri Lanka e as atrocidades entre hindus e muçulmanos que diariamente tiram vidas e trazem terror e agonia a tantas pessoas são apenas continuações de confrontos antigos entre várias religiões. Esforços desesperados para sustentar — a qualquer modo — as leis e o poder de sistemas religiosos fechados que insistem ter ‘O Caminho’ da salvação e da vida eterna, tão bem demonstrado pela sanguinária inquisição católica que nos deixou de importunar há não tão pouco tempo atrás, ilustram igualmente bem que muitos de nossos conflitos são resultantes diretos da presença da religião. E, no caso de menores eventos como eleições locais, a cartada da religião pode e freqüentemente é jogada com grande sucesso. Estimamos nossos erros, e os defendemos. Muitas vezes até a morte.

E a idéia de que crenças supersticiosas, como a religião, são inofensivas mostra-se bastante equivocada. Richard Dawkins recentemente observou em http://www.thehumanist.org/humanist/articles/dawkins.html (Disponível em português)

Acho que podemos entender que a fé é um dos maiores males do mundo, comparável ao vírus da Varíola, mas muito mais difícil de erradicar. A fé, que é uma crença que não é baseada em evidências, é o principal vício de toda religião. E quem, olhando o que acontece na Irlanda do Norte ou no Oriente Médio, pode ter certeza que o vírus mental da fé não é excessivamente perigoso?

Sempre diferenciei entre “fé cega” e “fé derivada de evidência”. A partir de agora usarei a palavra “fé” e não associarei “cega” a ela. Em vez de “fé derivada de evidência” usarei “convicção”. Tenho convicção no nascer do Sol de amanhã — ou, mais corretamente, a rotação da Terra até contemplar o Sol! — e tenho fé que George W. Bush por fim desistirá de apelar a uma divindade ou invocar uma oração em todas suas aparições públicas…

Os crentes tentam estabelecer um paralelo entre ciência e religião. Essa é uma perseguição inútil; tais idéias estão em lados exatamente opostos. Não, como Dawkins também escreveu, “Embora tenha muitas das virtudes da religião, [a ciência] não contém nenhum de seus vícios. Ciência se baseia em evidências verificáveis.”

Encontramos a religião em muitas passagens da nossa História, nossa filosofia, nosso dia-a-dia e nosso sistema legal. A miscigenação foi banida baseado em leis bíblicas, a escravidão foi justificada pelo mesmo livro. É conveniente ter um conjunto de regras arcaicas que suporte ações de ódio e comportamento, especialmente quando pode ser argumentado que uma certa quantidade de “interpretações” — embora nunca completamente negadas — são necessárias a eles para, apropriadamente, serem aplicadas em determinadas situações. Relativo a isso, rejeito argumentos que tentam desculpar erros estúpidos perfeitamente óbvios da religião insistindo que “não significa realmente aquilo”. Significa o que diz, e nenhuma desculpa ou explicação irá me convencer que eles não pretendiam que o crente realmente acreditasse que o Universo tivesse sido criado em sete dias. Decida-se: ou está certo, ou está errado.

Poupem-me do argumento que devemos muito da nossa cultura e arte à religião; é um erro. A grande arquitetura, as grandes obras de pintura, música e escultura que se devem a adulação de santos, divindades e sua prole, e os abençoados falecidos a quem foram comissionados, patrocinados e pagos por aqueles que lhes ofereceram sacrifícios, penitências, homenagens e relações públicas. Tais oferendas eram itens de seguro, mitigações e subornos para neutralizar transgressores ou para obter uma melhor posição na fila. Eles eram movidos a medo. Concordo que estamos em melhor situação no assunto ‘riqueza de um trabalho criativo’ do que seríamos capazes de compartilhar como resultado dessa apreensão, mas freqüentemente penso em como teria sido muito melhor se o trabalho tivesse sido direcionado a, e designado pela, nossa espécie — ao invés de dedicar a seres místicos no céu ou na terra.

Bem, agradeço à mitologia por ter me dade o “Messias” de Handel, mas isso não é descupa para o sofrimento, dor, medo e os milhões de mortos que não precisariam ter morrido…

Reflita sobre isso: um homem crê — sem dúvida alguma — que seu deus é o único deus, que é onisciente e onipotente, que o criou e a todo o universo ao seu redor, e é caprichoso, ciumento, vingativo e violento. O mesmo deus oferece ao homem uma escolha entre queimar em eterna agonia em um inferno ou viver eternamente em uma variedade de paraísos — alguns dos quais têm ruas de ouro e outros com abundância de virgens e prazeres. Há alguma escolha aqui? Falhará o homem em levar a cabo qualquer comando ou fantasia dessa divindade? Como poderemos duvidar que a religião é um sistema compulsório que completamente regra seus seguidores? É uma tirania, uma armadilha, um desastre de tamanho e escopo infinito. Não tenho nada disso.

Examine a noção de um “deus que ama”. Esse deus apenas amará você caso siga suas regras. Nenhuma pergunta, dúvida ou objeção é permitida. “Porque eu disse.” Ele/ela/isso ama você tanto quanto um fazendeiro ama um animal de tiro; você é útil, você obedece e você é dócil. Se você se perde, seu primogênito será assassinado, se você não seguir uma ordem extravagante, você é um pilar de sal. Isso é amor? Se for, escolho a indiferença.

Diferente do religioso, que tem tudo feito conforme o planejado, pré-digerido e servido a eles, estou disposto a me expor. Mas não usarei os argumentos de ameaças e medo, não cairei no “não sabemos tudo” e não estou com tempo pra discutir contos infindáveis e anedóticos que os crentes tanto usam.

Em que acredito? Acredito na básica bondade da minha espécie, porque é o que parece ser uma tática e qualidade positiva que leva a melhores chances de sobrevivência — e apesar de nossa tolice, parece que temos sobrevivido. Acredito que esse sistema de envelhecimento e, por fim, morte — um sistema que é resultado de um processo evolucionário, não de esforço consciente — é um excelente processo que faz sala para membros da espécie esperançosamente evoluídos, em um ambiente de limitações crescentes. Acredito que se não nos apressarmos e obter um senso de realidade e pragmatismo, acontecerá com a nossa espécie o que por fim acontece com eles: cessará de existir, prematuramente. Também creio que iremos nos aprimorar, porque é uma técnica de sobrevivência, e somos muito bons nisso…

Igualmente acredito nos olhinhos de filhotes de cachorros e das crianças, em risadas e sorrisos, em girassóis e borboletas. Montanhas e icebergs, flocos de neve e nuvens são maravilhas para mim. Sim, sei que tal percepção é resultado das conexões em meu cérebro, junto com a associação de experiências nele carregadas, mas isso não retira nada da minha apreciação dos fenômenos. Sei que outros, da minha espécie ou não, podem não compartilhar de minha admiração e aceitação desses elementos que tanto me agradam, porque eles têm necessidades e reações diferentes. Uma nuvem é uma massa de vapor d’água condensado na atmosfera, eu sei. Mas pode ser um veleiro, um demônio, uma águia se me permito ser um ser humano, e embora muitos duvidem disso, freqüentemente sou.

Krakauer, em seu livro “Sob a Bandeira do Céu”, lidando com a premissa que a violência e o fanatismo podem ser encontrados à disposição na religião, escreve:

Embora o distante território do supremo possa externar uma intoxicante atração sobre indivíduos suscetíveis de todas as tendências, o extremismo pode ser especialmente prevalente entre aqueles inclinados pelo temperamento ou por formação direcionada à perseguição religiosa. Fé é a exata antítese da razão, e a imprudência um componente crítico da devoção espiritual. E quando o fanatismo religioso suplanta o raciocínio, todas as apostas se cessam repentinamente. Tudo pode acontecer. Tudo. Senso comum não combina com a voz de Deus . . .

A fé é a exata antítese da razão, e a imprudência um componente crítico da devoção espiritual.” Isso diz tudo.

(Firma de James Randi)


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